“Nós ensinamos às moças que elas podem ter ambição, mas não muita... que podem ser bem-sucedidas, mas não muito”, diz a escritora Chimamanda Ngozi Adichie em uma famosa palestra no TEDx. A abordagem dela para as questões de gênero durante aquela quase meia hora de palestra deu origem a um dos meus livros favoritos de todos os tempos “Sejamos Todos Feministas”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

De um jeito leve e divertido, contando anedotas – como por exemplo a vez em que um amigo disse que ela parecia feminista como quem queria dizer “você apoia o terrorismo” –, a autora estabelece parâmetros simples e claros para que todos possamos começar uma conversa sobre o assunto. “Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social e política entre os sexos”, diz ela emendando que, por esse princípio, sua bisavó não sabia, mas já era uma feminista.

Experiências

De nacionalidade nigeriana, Chimamanda recebeu alguns dos prêmios mais importantes da literatura anglófona, como o Orange Prize for Fiction. Em 2013 seu quarto romance “Americanah” foi reconhecido como uns dos 10 melhores livros do ano pela New York Times. É tida pela crítica como uma das mais importantes jovens autoras de língua inglesa da atualidade.

Entretanto, nenhuma dessas conquistas deu a ela, por exemplo, a liberdade de entrar em um hotel de luxo sozinha em seu país de origem sem ser incomodada. Ser uma mulher inteligente e bem sucedida também não a livrou de se culpar por “parecer feminina demais” quando ia dar a primeira aula em um curso de pós-graduação.

Em um mundo em que estar arrumada “de menos” é visto como desleixo e “de mais” nos joga na vala comum da futilidade e falta de inteligência, percebemos junto com a autora que nossas escolhas estéticas são guiadas por padrões muito mais rígidos que os masculinos.

Apesar de tudo isso, é na mesma Chimamanda Ngozi Adichie que encontramos possibilidades de diálogo para a redução dos conflitos. Diferente das reclamações apenas por reclamar, característica tão associada aos milenials, o tom da autora é propositivo. Tanto em suas palestras quanto na publicação mais recente “Para educar crianças feministas” ela aceita o desafio de pensar meios para construirmos um mundo diferente.

Na busca por mudanças

A Volare Paper é feita majoritariamente de mulheres – desde suas fundadoras, passando pela maioria feminina no quadro funcional e também pela maior presença delas entre o público consumidor. Por isso, assumimos que, nesta data simbólica, também cabe a cada uma de nós buscar caminhos e abrir espaços para conversas que possam levar à equidade.

As conquistas são geracionais. Tudo começou lá atrás com a luta por independências profissional, financeira, política e civil das mulheres. Que neste 8 de março, vislumbremos um futuro onde as responsabilidades pela casa não sejam associadas ao gênero, mas a cada um dos moradores dela; onde as posições de poder, seja político ou econômico, na esfera pública ou privada, não sejam proibitivas para a participação feminina; enfim, um mundo mais igualitário. E que possamos dialogar, sempre que possível e lutar sempre que necessário.

Entretenimento

Separamos algumas dicas de filmes e séries para quem quiser curtir o fim de semana aproveitando a temática feminista.

Resumo da série The Handmaid's Tale – claro que não poderia faltar nessa lista essa série distópica baseada no livro “O Conto de Aia” da canadense Margaret Atwood. No Brasil, é possível vê-la no serviço de streaming da Globo e também no Now – para os assinantes de TV a cabo.

Resumo da série A Maravilhosa Sra. Maisel – série sobre uma tradicional boa moça judia na Nova York dos anos 1960 que se vê transformada em uma comediante depois de ser abandonada pelo marido.
Resumo da série Dietland - série ácida sobre uma jovem mulher gorda que trabalha nos bastidores do mundo da moda e se vê obrigada a perder peso. Como sub trama temos o assassinato em série de homens acusados e até julgados por assédio ou abuso sexual.

Resumo do filme She's Beautiful When She's Angry – documentário sobre a chamada “primeira onda feminista” dos anos 1960.
Resumo do filme Feministas: O Que Elas Estavam Pensando? – ainda sobre o movimento feminista, dessa vez sobre a “segunda onda” dos anos 1980.
Resumo da série Workin 'Moms - uma sitcom canadense sobre um grupo de mães que está prestes a voltar ao trabalho após os meses de licença maternidade. Cada uma enlouquece do seu jeito, todos bastante divertidos, enquanto buscam por realização
Resumo da série Grace and Frankie – série cômica sobre a amizade improvável entre duas mulheres idosas deixadas pelos maridos que resolveram se casar um com o outro.